4,8 milhões de crianças e adolescentes vivem em casas sem internet


O uso da internet por crianças e adolescentes é crescente no Brasil, no entanto ainda há uma grande parcela delas que vivem em casas sem acesso à tecnologia. Publicada hoje, 23, a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2019 aponta que cerca de 1,8 milhão de indivíduos de 9 a 17 anos não são usuários de internet, enquanto 4,8 milhões vivem em domicílios que não possuem acesso à rede.

Já 89% da população de 9 a 17 anos é usuária de internet no Brasil, o que equivale a 24,3 milhões de crianças e adolescentes conectados. O percentual é menor entre crianças e adolescentes que vivem em áreas rurais (75%), nas regiões Norte e Nordeste (79%) e que residem em domicílios das classes DE (80%).

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A pesquisa mostra que não ter internet em casa é o principal motivo para o não uso da rede – o que foi reportado por 1,6 milhão dos não usuários.

O estudo foi realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Ajuda aos pais

Pela primeira vez o Cetic.br buscou entender os hábitos dos pequenos usuários e de suas famílias. Entre os pais ou responsáveis das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos, 80% reportaram conversar com os filhos sobre atividades online, 77% ensinam como usar a internet com segurança e 55% ajudam a fazer alguma tarefa na internet que a criança não entende. De forma geral, atividades de orientação são mais direcionadas às faixas etárias mais baixas: o número de pais ou responsáveis que acompanha atividades presencialmente, falando ou participando do que o filho está fazendo, foi de 75% para população de 9 a10 anos e de 47% para a população de 15 a 17 anos.

A pesquisa também investigou possíveis riscos aos quais crianças e adolescentes estão expostos na Internet. A proporção de contato com conteúdo de violência foi de 27% entre as meninas e de 17% entre os meninos. Diferenças também foram identificadas em relação a conteúdos sobre formas de ficar muito magro, reportado por 21% das meninas e 10% dos meninos. A proporção de meninas que foram tratadas de forma ofensiva também foi maior do que entre os meninos, 31% contra 24%. Entre os jovens de 9 a 17 anos, 43% viram pessoas serem discriminadas no ambiente online, seja pela raça, cor ou aparência física.

Conectividade

O celular é o principal dispositivo de acesso à internet, utilizado por 23 milhões de crianças e adolescentes brasileiros (95%). Do total de usuários na faixa etária investigada, 58% utilizam o dispositivo de forma exclusiva, percentual mais elevado nas classes DE (73%). Já o acesso à internet por meio da televisão aumentou no comparativo com 2018 – era de 32% na pesquisa anterior, e agora é de 43%.

A TIC Kids Online Brasil 2019 aponta ainda que o acesso à internet por crianças e adolescentes é predominantemente domiciliar: 92% da população investigada acessou à internet de casa e 83% da casa de outras pessoas. Na escola o acesso foi reportado por 32% dos entrevistados.

“O acesso exclusivo pelo telefone celular e a falta de conectividade nos domicílios são limitações que merecem a atenção das políticas públicas, sobretudo no contexto da pandemia que estamos enfrentando. Tais fatores dificultam, por exemplo, a continuidade das atividades de ensino e aprendizagem a distância”, avalia Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Atividades com o uso da rede

Atividades multimídia, de comunicação, educação e busca por informações estão entre as mais realizadas entre o público investigado. A pesquisa aponta que quanto maior a faixa-etária, maior a proporção de realização dessas atividades: 78% da população de 15 a 17 anos realiza pesquisas na Internet por curiosidade ou vontade própria – esse índice cai para 46% quando se trata de crianças de 9 a 10 anos de idade.

A TIC Kids Online Brasil 2019 mostra ainda que 40% da população de 15 a 17 anos conversou por chamada de vídeo – já para crianças de 9 a 10 anos essa proporção é de 25%. As conversas por vídeo também variam segundo a classe social: 56% na AB, 34% na C e 27% nas classes DE. De acordo com a pesquisa, a procura por informações sobre saúde foi realizada por um número maior de meninas de 15 a 17 anos (37%), se comparado aos meninos da mesma idade (25%).

A pesquisa entrevistou 2.954 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos, bem como seus pais ou responsáveis, em todo o território nacional. As entrevistas aconteceram entre outubro de 2019 e março de 2020, visando a entender de que forma esse público utiliza a internet e como lida com os riscos e as oportunidades decorrentes desse uso. A TIC Kids Online Brasil segue o referencial metodológico da rede europeia EU Kids Online, liderado pela London School of Economics e do projeto Global Kids Online, coordenado pelo Unicef.

Para acessar a TIC Kids Online Brasil 2019 na íntegra, assim como rever a série histórica, visite o site do Cetic.br.

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