3 G: a disputa pelo timing correto.


O movimento de alguns setores do mercado para garantir que o leilão das licenças de terceira geração da telefonia móvel seja realizado no próximo ano, intenção já manifestada por alguns conselheiros da Agência – no máximo o regulador conseguirá, ainda este ano, lançar a consulta pública deste edital – esbarra na resistência das operadoras de …

O movimento de alguns setores do mercado para garantir que o leilão das licenças de terceira geração da telefonia móvel seja realizado no próximo ano, intenção já manifestada por alguns conselheiros da Agência – no máximo o regulador conseguirá, ainda este ano, lançar a consulta pública deste edital – esbarra na resistência das operadoras de GSM. Decididamente elas não querem se ver na condição de serem obrigadas a novos investimentos antes de explorarem ao máximo o potencial de suas redes de segunda geração – é bom lembrar que algumas ainda estão migrando a rede TDMA para a plataforma GSM. Embora entendam a posição do regulador que gostaria de ter mais uma operadora em São Paulo e vê, na 3G, uma janela de oportunidades para vender  as freqüências disponíveis, argumetam que é preciso avaliar bem o timing do leilão para não comprometer as operações existentes e a incorporação de novos assinantes das classes D e E, em quase sua totalidade usuários de pré-pago, cujo custo de aquisição não consegue ser pago pelo serviço. Especialmente se forem clientes captados em promoções que embutem pacote de minutos. Para essa corrente, o leilão tem que ser adiado para 2007, quando o mercado internacional já estará mais amadurecido e os preços dos aparelhos de 3G já estarão em patamares menores.
Quem defende que o leilão se dê ainda neste governo, contra-ataca com o fato de este ser um país de contrastes que, embora tenha 50 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza, tem 10% da população que concentra 47% da renda, anda em  carro de luxo (nacional ou importado) e consome produtos sofisticados. É nesta fatia da população e no mercado corporativo onde está a demanda pelos serviços oferecidos pela 3G, que combinam mobilidade com velocidade de transmissão de voz, dados e imagem em movimento. “O regulador não pode obrigar ninguém a migrar para a 3G mas não pode impedir o desenvolvimento da telefonia móvel no país”, observa um analista que aposta que, em meados do próximo ano, o país ultrapassará a barreira dos 100 milhões de celulares.

Ùnico consenso
Entre as duas correntes, existe um único consenso. Os atuais operadores de telefonia móvel têm que ter não só oportunidade mas prioridade no leilão das novas licenças. E, para contemporizar com as operadores que querem empurrar o leilão mais para a frente, os pró leilão em 2006 propõe o prazo maior para a entrada das licenças em operação, algo entre dois e três anos. Uma saída que não resolve, em princípio, o problema dos que querem o adiamento, em função dos trunfos da competição. “No nosso mercado não estar associado à inovação é grave, embora os serviços não voz representam ainda uma fatia pequena, entre 4 e 6% da receita”, pondera um executivo.
A queda-de-braço conta com um elemento forte de pressão, a Vivo, que terá, com a licença de 3G, oportunidade de resolver seu problema de cobertura nacional (hoje não está nem em Minas Gerais, nem no Nordeste). Mas seus concorrentes suspeitam que, ao defender o leilão das licenças em 2006, queira, na verdade, criar um fato político para conseguir mais espectro na faixa de 850 MHz para ampliar seus serviços e oferecer mais velocidade. Exemplo disso seria o recente lancamento do Vivo Play 3G, para aparelhos com funcionalidade da plataforma EVDO e alguns de1xRTT, que permite assistir no celular a gols, documentários, novelas ou ainda baixar musicas, videoclipes e trailers de filmes.
As operadoras TDMA que migraram para o GSM começam a ter freqüência livre na faixa de 850 MHz, onde estavam localizadas as operações TDMA e na qual opera o CDMA (da Vivo). A Vivo precisa de mais freqüência nessa faixa, já pediu à Anatel direito a comprar as sobras, mas ainda não foi atendida. Quem tem essas freqüências, caso das antigas TDMA, não quer abrir mão delas. “Compramos essa freqüência e não podemos ter cerceado nosso direito de usá-las”, explica um executivo, informando que para algumas aplicações, especialmente as indoor, a faixa de 850 MHz é mais eficiente e que existem aparelhos GSM para atender às duas faixas. Outro fato a sustentar essa hipótese, pondera um analista, é de a Vivo ser a operadora a ter que fazer o maior investimento em infra-estrutura para migrar para a 3G, num momento em que está fragilizada: vem perdendo mercado e o resultado de sua operação no trimestre, em São Paulo, registrou um EBTDA de 21%, metade do desempenho dois anos atrás.

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