3,5 GHz: Anatel não formou consenso.


Tele.Síntese Análise 360 As declarações contraditórias entre si, de dirigentes da Anatel, e mesmo de técnicos do MiniCom, sobre o leilão das frequências de 3,5 GHz – uns dizem que está enterrado; outros, que vai sair – refletem a falta de consenso interno sobre o tema. E essa falta de consenso ocorre, na avaliação de …

Tele.Síntese Análise 360

As declarações contraditórias entre si, de dirigentes da Anatel, e mesmo de técnicos do MiniCom, sobre o leilão das frequências de 3,5 GHz – uns dizem que está enterrado; outros, que vai sair – refletem a falta de consenso interno sobre o tema. E essa falta de consenso ocorre, na avaliação de dirigentes, porque não há interesse dos grandes players do mercado nessa frequência. Quem está de olho nelas são os provedores regionais, mas há dúvidas, entre técnicos da agência, se o seu modelo de negócios se sustenta.

Segundo um conselheiro, a explícita falta de consenso não decorre da pressão dos radiodifusores, que reivindicaram formalmente, em documento ao ministro Paulo Bernardo, que essas frequências não sejam leiloadas para evitar interferência na recepção de sinais de TV pelas antenas parabólicas. A interferência existe, de fato, como provam os testes realizados, mas segundo técnicos da Anatel há recursos para evitar que ocorra.

Essa não é a visão da Abert. De acordo com sua assessoria técnica, só a substituição das atuais parabólicas, estimadas em 22 milhões – esse é um número sempre citado, embora não se saiba como é efetivamente constituído –, pode resolver a interferência. Como a substituição das antenas por outras com filtros vai depender dos telespectadores, é uma solução difícil de acontecer. Mas defendida pelo consultor da Abert, Paulo Roberto Balduino. Em sua avaliação, há tempo para uma campanha educativa, pois só em 2015 a UIT deverá definir a destinação das frequências de 3,4 GHz a 3,6 GHz para a telefonia celular de quarta ou quinta geração. E esse, na sua avaliação, deveria ser o uso mais adequado para esta frequência, o que contempla o interesse dos radiodifusores.

A reivindicação dos radiodifusores parece, no entanto, não ser o motivo da indefinição da agência em relação ao leilão da 3,5 GHz neste momento. “A solução técnica não pode criar buracos no espectro”, diz um dirigente. Mas, para saber a efetiva demanda dos provedores regionais, e avaliar quantos teriam condições de pagar por uma frequência, a Anatel vai trabalhar no mapeamento desse segmento de mercado. O que significa que, qualquer decisão, só no ano que vem.

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