2012 é o ano do WiFi no Brasil, diz diretor da Cisco


“2012 é  o ano em que os investimentos em WiFi vão florecer para descarregar as redes móveis”, disse Rodrigo Dienstmann, diretor de operadoras da Cisco do Brasil, em entrevista ao Tele.Síntese. Segundo pesquisa da fabricante de equipamentos, o tráfego mundial de dados sobre redes móveis deve crescer 78% anualmente até 2016, sendo que sem o chamado offloading de tráfego em hotspots de WiFi, esta taxa seria de 84%.

 

No Brasil não deve ser diferente, com uma taxa de crescimento anual de 79%, ou seja, o tráfego de dados móveis será 19 vezes maior que em 2011, para 0,26 exabytes por mês, em 2016. “O WiFi é uma grande tecnologia para diminuir o custo das operadoras. É três vezes mais barato que instalar uma rede móvel”, afirmou Dienstmann.

 

Até agora, no entanto, apenas Oi, TIM e NET já anunciaram investimentos em WiFi, sendo a primeira a mais avançada, com a compra da rede de hotspots Vex em meados do ano passado. Já a TIM lançou em dezembro seus primeiro hotspots na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, enquanto a operadora de TV por assinatura e banda larga, que portanto não tem interesse direto em offloading móvel, tem diversos pontos de acesso nas ruas de São Paulo e do Rio.

 

Segundo o estudo da Cisco, o offloading continuará tendo uma participação minoritária no tráfego total da internet mundial, passando de 0,6% hoje para 4% em 2015. Enquanto isso, as redes móveis devem aumentar de 5,2% para 16%. Tráfego fixo e outros usos de WiFi passarão a representar 80%, diminuindo dos atuais 94,2%.

 

No Brasil, por outro lado, a expectativa é de que o volume de dados móveis eventualmente supere o tráfego das redes fixas, como já ocorre em número de assinantes, embora Dienstmann não confirme um prazo para isso ocorrer. A tendência é comum em países emergentes, em que o alto preço de equipamentos e infraestrutura diminui a penetração de PCs e banda larga cabeada.

 

A banda larga móvel, por sua vez, deve ver sua velocidade crescer de 179 Kbps hoje para quase 2 Mbps em 2016. “Aplicativos demandam mais banda”, afirmou o executivo, lembrando que, além da instalação de redes WiFi, o país também deve ver no período um grande expansão das atuais redes 3G e 3,5G e da implementação das primeiras redes 4G. “A maior demanda por smartphones e tablets, o crescimento no conteúdo disponível para dispositivos móveis – antes só email e navegação na web, hoje aplicativos e vídeos – e a cobertura maior das redes vão alavancar esse crescimento do 3G no Brasil”.

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